Dragon’s Dogma

By Hidora

Um homem chamado Savan, conhecido como Arisen por seus aliados, entra no covil de seu alvo, seu inimigo: um dragão. O Dragão. O mesmo que arrancou seu coração. Após derrotar dezenas de monstros, ele finalmente encontra a besta, e prepara-se para o combate. E o resto é história.

Incontáveis gerações depois, próximo a um vilarejo pesqueiro em um país chamado Gransys, um dragão aparece novamente, atacando imediatamente. Durante o ataque, um dos moradores do vilarejo decide atacar o dragão ao invés de fugir, e é recompensado com uma benção maldição: você é esse morador. E você acaba de se tornar Arisen, um ser humano sem coração, e imortal, cujo destino é derrotar o dragão que lhe roubou o coração. E assim começa a história do mais novo Arisen de Gransys.

Um dos melhores jogos da sua geração (IMO), Dragon’s Dogma é um RPG com combate em tempo real feito pelo Capcom. Apesar da má-fama da Capcom nos últimos tempos, esse é com certeza um dos melhores jogos que joguei em um bom tempo. O segundo RPG de ps3 a me prender por mais de 100 horas (o primeiro foi Disgaea 4).

A premissa é simples: você precisa encontrar e derrotar o dragão com a ajuda de aliados, chamados Pawns, e de antigos Arisen, um deles sendo o Duke de Gransys, conhecido como Dragonsbane por ter derrotado o dragão anos atrás. A história é meio fraca, é verdade, mas é boa o suficiente para me manter entretido por bastante tempo.

Ao começar, você joga um pequeno tutorial com Savan, e em seguida cria seu personagem, e um pouco mais à frente cria seu Pawn. Um grupo é formado por até 4 integrantes: você, seu Pawn principal, e 2 Pawns assistentes. Esses 2 Pawns podem ser contratados vagando pelo mundo, ou em uma Rift Stone.

A parte interessante é que, se você estiver jogando online, esses Pawns são os Pawns principais de outros jogadores, e outros jogadores podem usar o seu Pawn como assistente. Você também pode dar presentes a outros jogadores ao usar o Pawn deles, e assim os jogadores encontraram um jeito de trocar itens. A explicação para isso no jogo é que existem infinitos mundos paralelos, cada um com seu Arisen, cada Arisen com seu Pawn.

Contratar um Pawn de Lv elevado (acima do seu) geralmente custa uma grande quantidade de Rift Crystals. Porém, contratar Pawns de amigos que você tenha na PSN/Live é de graça. Note que jogadores da PSN não podem usar Pawns da Live, e vice-versa.

Note que Pawns assistentes não podem passar de Lv: a experiência recebida por esses Pawns é convertida em Rift Crystals para o dono do Pawn. Also, conhecimentos recebidos enquanto o Pawn está como assistente de outro jogador são mantidos quando o Pawn é liberado.

Claro, nem tudo é perfeito, e a inteligência artificial de Pawns costuma deixar um tanto a desejar. Se você criar seu Pawn da maneira errada, você pode acabar com coisas bizarras, como seu tank deixar a batalha de lado para coletar drops, ou o seu mago resolver subir nas costas daquele ciclope. Porém, tudo é uma questão de planejamento.

O sistema de combate em tempo real é um dos melhores que vi em um bom tempo (a maior comparação que vejo é com Dark Souls, e finalmente tendo jogado esse jogo, digo que o sistema de DD é mais rápido, porém menos brutal do que DS). As animações são muito bem feitas, e o sistema em si é bem sólido. O esquema de botões é bem simples, mas permite uma grande quantidade de ações com as várias habilidades.

O jogo usa um sistema de classes, aqui chamadas Vocations, cada uma com suas armas e habilidades especificas, e grande parte dos inimigos humanos usa essas vocations, ou variações delas (Striders sem arcos, Rangers sem adagas, etc). Existem 9 Vocations disponíveis. Você pode escolher entre as 3 básicas (Fighter, Strider, ou Mage) inicialmente, e depois pode escolher livremente entre as outras (porém, Pawns não podem pertencer às vocations híbridas). Essas vocations definem a progressão dos stats do seu personagem, permitindo que você escolha qual papel quer seguir.

Resistências elementais também possuem uma grande parte no sistema do jogo, apesar de grande parte dos inimigos serem fracos contra Fire no começo, e Holy no fim do jogo. Ailments também são bem poderosos e, apesar de difíceis de serem usados na maior parte do tempo, valem bastante a pena (nada como um Silence em um Frostwyrm para deixá-lo inofensivo).

Uma das partes que mais me chamou a atenção foi o dano localizado: acertar uma flecha na cabeça de um alvo causa dano extra, acertar as asas de um grifo com uma flecha de fogo fará as asas queimarem, derrubando-o, atingir o olho do ciclope causa dano extra, etc. Inimigos gigantes também permitem que você os escale para chegar a pontos fracos, ou atingir partes específicas deles (quebrar a armadura de um ciclope, destruir a bolsa de veneno de um cocatriz, etc).

Outra coisa: a noite. Tenha medo dela. Durante a noite, monstros mais poderosos e/ou em maior quantidade (“Wolves hunt in packs!”, indeed) substituem os inimigos comuns, e a visibilidade é péssima sem uma lanterna. Porém, acender uma lanterna atrai mais inimigos a uma distância maior. A menos que esteja preparado, você vai querer evitar sair durante a noite.

Os gráficos do jogo são muito bons, apesar de não serem os melhores que já vi, e os cenários são muito bem feitos. De fato, o foco do jogo parece ser no cenário, não nos personagens.

A customização do personagem é ótima, permitindo que você jogue como uma garotinha de 13 anos, um guerreiro veterano com várias cicatrizes, ou até mesmo algo parecido com o Blanka (I kid you not). Existem dezenas de vozes, rostos, olhos, cabelos, braços, torsos, etc para você escolher, e grande parte dessas opções pode ser customizada ainda mais. O jogo também possui dublagem em inglês e em japonês se você quiser.

E por falar na dublagem, a linguagem usada no jogo é uma mistura entre o inglês atual e um inglês mais antigo (e ouvi dizer que o japonês usado aqui também não é lá muito comum), com expressões pouco usadas nos tempos atuais, ou com significados já não mais usados.

A trilha sonora do jogo é ótima, e bem imersiva. As músicas se encaixam perfeitamente na maior parte do tempo. Dark Arisen possui novas músicas, e uma nova música tema, Coils of Light.

Meu problema com o jogo inicialmente foi que o último RPG que eu havia jogado era Skyrim, onde todos os NPCs possuem mais vida do que na maioria dos outros jogos. Em Dragon’s Dogma, os NPCs são do modo mais tradicional: de uma a quatro falas geralmente são repetidas, e eles não interagem muito entre si. Mas considerando que grande parte dos RPGs ainda funciona desse jeito, não posso culpá-los.

Existe também a “expansão” Dark Arisen (entre aspas porque o console registra DA como um jogo diferente, com seus próprios troféus/achievements, mas saves do DD original podem ser convertidos para o DA sem problemas), que adiciona grande parte das DLCs (que na maioria são novos equipamentos e pequenas quests), novas soundtracks, vários equipamentos, um aumento na dificuldade e recompensas do modo Hard, e um novo lugar, Bitterblack Isle, com sua própria história, novos inimigos, novos itens, novas skills (e algumas modificações em skills já existentes), e novos chefes. O chefe final desse lugar sendo BEM mais poderoso que o chefe final do jogo original, e bem mais perigoso que Ur-Dragon, o mais famoso chefe opcional.

Se você está atrás de um bom RPG para PS3/360, não tenha dúvidas, esse jogo vale muito a pena.

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